segunda-feira, 2 de março de 2020

Coronavírus acelera a fuga de capital da Bolsa, que perde R$ 35 bi em dois meses

Notas de dólar

Com o surto de coronavírus provocando aversão ao risco nos mercados globais, a saída de capital de estrangeiros da Bolsa se acelerou em fevereiro. Até quarta-feira, dado mais recente disponível, o investidor externo havia retirado R$ 35 bilhões do mercado acionário em 2020. Somente em fevereiro, foram feitas retiradas acima de R$ 1 bilhão em 10, de um total de 16 pregões. Foram reportadas entradas em apenas duas sessões. O número fechado do mês deve ser conhecido na próxima quarta-feira.

A crise produzida pelo coronavírus afeta o preço das ações das empresas, o que derruba as Bolsas pelo mundo, porque as medidas restritivas para combater a doença levaram, por exemplo, à paralisação das fábricas chinesas, que fornecem componentes para as indústria em outros países. Os investidores temem perdas em seus papéis. O efeito se espalha para a economia com a queda no consumo.

As retiradas acumuladas em 2020 são equivalentes ao reportado nos primeiros 11 meses de 2019 (até o dia 13 de novembro) e já se aproxima do saldo negativo histórico do ano passado, de R$ 44,5 bilhões. O valor também supera com folga o recorde nominal anterior registrado em 2008, de R$ 24,6 bilhões, ano da crise financeira global. À época, porém, havia menos negócios no mercado de ações. Dias antes da quebra do banco Lehman Brothers, estopim da crise, a Bolsa brasileira havia chegado aos 52 mil pontos, ontem ela fechou em 104.171 pontos.

Na quarta-feira, com notícias mais alarmantes sobre a disseminação do coronavírus pela Europa, a Bolsa registrou saída diária recorde de R$ 3,068 bilhões – o maior valor nominal registrado desde o início da compilação dos dados, em 1994. Ao Estadão/Broadcast, analistas afirmam que ainda é incerto se essa fuga deve se intensificar, mas veem continuidade no fluxo de retirada ao longo do ano.

O coronavírus intensificou – e pode acentuar por algum tempo – uma realidade vivida no Brasil desde que a queda nas taxas de juros básicas começou a se intensificar. Juros mais altos são um grande atrativo a estrangeiros. No novo cenário, eles passaram a ganhar menos e continuaram a correr o risco cambial de investir no País.

Assim, preferem a volta à segurança. Os títulos públicos americanos, na avaliação de José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, continuam como principal refúgio desse investidor global. “O surto de coronavírus só veio para piorar um cenário que já estava ruim.”

Além do coronavírus, André Perfeito, economista-chefe da Necton Corretora, diz que o investidor de fora vai olhar, nos próximos meses, para a relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso. “O mercado pode precificar que não vai mais haver reformas, ou que elas vão atrasar”, diz.

Entre as principais Bolsas globais, a brasileira foi a que registrou a maior queda em dólares no acumulado do ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Petrobras reduz preços do diesel e da gasolina nas refinarias

Posto da Petrobras

A Petrobras (PETR3; PETR4) cortou em 5% o preço do diesel comum e em 4% o preço da gasolina nas refinarias. Os novos valores, anunciados ontem (28) pela estatal, passaram a valer hoje (29).

Os preços do diesel S500 para térmicas e do diesel marítimo caíram 5,1%. Já o diesel S10 para térmicas teve redução de 5,2% no seu valor.

A queda foi decidida em um cenário de desvalorização do petróleo no mercado mundial. Os contratos do petróleo Brent para abril estavam cotados a US$ 50,52 no fechamento do mercado ontem. Esse valor representa uma queda de 13,64% em uma semana.

O petróleo Brent é um tipo extraído principalmente do Mar do Norte e cotado na Bolsa de Valores de Londres. Ele é a referência no cálculo do valor de cerca de dois terços do petróleo mundial.

A desvalorização é influenciada pelo avanço dos casos de coronavírus pelo mundo, o que gera no mercado o receio de uma eventual desaceleração da economia mundial e, consequentemente, de uma menor demanda por combustíveis.

Por meio de suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro destacou hoje a decisão da estatal brasileira. “Este ano, a Petrobras reduziu quatro vezes o valor dos combustíveis nas refinarias e este é o quinto anúncio. Seguimos fazendo nossa parte e trabalhando para melhorar a vida dos brasileiros”, disse ele.

Preços nos postos

Apesar dos novos valores praticados nas refinarias, não há impacto imediato no preço final pago pelo consumidor nos postos de combustíveis. A variação, nesse caso, depende ainda de outros fatos como o consumo dos estoques armazenados, impostos, margens de revenda e percentual da mistura dos biocombustíveis.

Em virtude do feriado de carnaval, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) irá divulgar o novo Levantamento de Preços e de Margens de Comercialização de Combustíveis somente na próxima terça-feira (3).

Serão apresentados os resultados do período entre 23 e 29 de fevereiro, o que ainda não deverá mostrar reflexos da decisão da Petrobras.

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Incerteza com coronavírus faz economistas se lembrarem da crise de 2008

O medo do impacto que a propagação do coronavírus continuará causando na economia tem levado a Bolsa brasileira e os mercados globais a amargarem perdas expressivas. O cenário de Bolsas em baixa faz lembrar o mergulho que o mercado global experimentou em 2008.

Na visão de economistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, no entanto, o principal paralelo entre os dois momentos é o grau de incerteza e é preciso acompanhar até que ponto o comércio e a produção mundial serão afetados agora.

As duas crises têm panos de fundo diferentes: em 2008, a questão principal era a bolha que havia sido criada no mercado imobiliário americano e que ameaçava a sustentabilidade do mercado financeiro. Agora, pesam os impactos econômicos globais por conta da disseminação do vírus.

O economista-chefe da Necton, André Perfeito, reforça que a crise de agora não é na indústria financeira, como a de 2008, mas um distúrbio na economia real. “A indústria financeira antes estava ‘podre’. Hoje, não.”

Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, concorda que o que aproxima os dois momentos é um ambiente de muito risco. “Há 12 anos, também havia muita dúvida de onde estava o fundo do poço. Agora, a sensação é muito ruim, mas em uma dimensão menos grave do que em 2008.”

Ele também avalia que as implicações que a crise de produção internacional terá não são claras. “O mercado não sabe que tipo de depressão nas economias internacionais está por vir. O investidor pode até ficar otimista, caso algo positivo aconteça nos próximos dias.”

A economista Thaís Zara, da Rosenberg, ressalta que há uma percepção de que os impactos sobre a economia mundial podem ser mais fortes do que se imaginava, enquanto aumentam os casos de coronavírus registrados fora da China.

Ela lembra que, conforme os casos fora da China forem aumentando, é possível que mais países adotem medidas de restrição de produção e de circulação de pessoas. “O crescimento econômico global será menor do que se antecipava, mas não se sabe se os danos serão restritos ao primeiro semestre.”

No Brasil, o número de suspeitos de infecção pelo Covid-19 caiu de 85 para 66 no Estado de São Paulo, segundo balanço de ontem. Três parentes de um empresário de 61 anos, primeiro caso confirmado no País, estão entre os descartados.

De acordo com os analistas, também não é possível separar até onde vão os efeitos externos – do coronavírus – na Bolsa e os internos, de crise entre os Poderes, após o presidente Jair Bolsonaro compartilhar dois vídeos no WhatsApp, convocando para manifestações em defesa do governo no dia 15 de março.

De todo modo, ainda que a queda dos indicadores brasileiros tenha acompanhado o movimento internacional, a crise política tem pesado no aumento das incertezas, que prejudicam o desempenho da Bolsa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Nova política para o salário mínimo deve ser a 1ª pauta-bomba após o desentendimento entre Bolsonaro e o Congresso

No momento em que o governo tenta fechar um acordo com o Congresso para viabilizar o Orçamento de 2020, ficou mais próximo o risco de parlamentares acionarem uma pauta-bomba com impacto direto nas contas públicas. O rastilho de pólvora que preocupa a equipe econômica leva a um dos temas mais sensíveis para o Palácio do Planalto: a política de valorização do salário mínimo.

O Estado de S. Paulo apurou que o Congresso quer acelerar essa discussão nas próximas semanas. Fontes do governo informaram que a equipe econômica já procurou lideranças do Senado e da Câmara para “segurar” esse avanço que vem em várias frentes das duas Casas.

A principal delas se dá por meio de emendas que miram a Medida Provisória (MP) 919, que fixou o valor do salário mínimo em R$ 1.045,00 para 2020.

No Senado, um projeto de lei do senador Eduardo Braga (MDB-AM) fixa uma nova política para o mínimo. Pelo projeto, os reajustes para a preservação do poder aquisitivo do salário devem refletir a expectativa de inflação anual contida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) mais a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, apurada pelo IBGE. Há uma articulação para esse projeto ser analisado já na próxima semana na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Braga, que é líder do MDB, também é autor de uma emenda à MP 919 que estabelece uma nova política que garante aumento real do salário mínimo até 2023. A proposta assegura a reposição das perdas inflacionárias acrescida da variação positiva do PIB per capita dos 24 meses que antecedam o reajuste.

Segundo Braga, não haverá crescimento econômico sem aumento de consumo e não haverá aumento de consumo sem uma política de valorização do salário mínimo.

Há outras ideias em pauta. O presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, também apresentou um emenda à MP 919 com uma proposta de valorização que altera a correção já em 2020. O deputado disse: “Se a MP vale desde já, a mudança na política tem de valer para este ano também”, afirmou.

O deputado informou que vai discutir, na próxima semana, a possibilidade de aprovar a emenda na MP. “Não fiz o cálculo do impacto, mas sei que é importante para os trabalhadores manter uma política de aumento de salário mínimo”, disse. Ele ressaltou que o País passou muitos anos com um salário mínimo vergonhoso em torno de US$ 55 e que para elevar o valor ao patamar de hoje, “deu muito trabalho”.

“Por isso, é importante termos uma política de aumento real do salário mínimo, que é um jeito de distribuir renda no Brasil. Há mais de 40 milhões de pessoas que vivem disso”, ponderou Paulinho.

Impacto

Para um integrante da equipe econômica, a discussão da política do salário mínimo não é só de custo fiscal, mas também de impacto no emprego. O diagnóstico do Ministério da Economia é que, se elevar o salário mínimo com o atual nível de desemprego, haverá dificuldade de geração de postos formais, jogando os trabalhadores na informalidade, como já tem ocorrido na Região Nordeste. Além disso, como a informalidade é menos produtiva, seria criado um fosso entre as regiões, o que poderia se aprofundar ainda mais.

A preocupação com pautas-bomba entrou no radar com o acirramento dos ânimos com o Parlamento, depois que o presidente Jair Bolsonaro disparou de seu celular um vídeo convocando apoiadores a irem às ruas para defendê-lo contra o Congresso, como revelou o Estado. O episódio ajudou a colocar a pauta do governo em suspense e ampliou as incertezas em relação à agenda econômica.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é o mais cobrado pelas lideranças partidárias da Câmara e do Senado, que o acusam de ter descumprido o acordo do Orçamento impositivo, que amplia poderes dos parlamentares na destinação dos recursos para programas e ações do governo.

A política de valorização do mínimo terminou no ano passado. Ela considerava o reajuste pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais o PIB de dois anos anteriores. Para 2020, a proposta é apenas a reposição da inflação medida pelo INPC, sem aumento real. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Bolsas dos EUA têm pior semana desde 2008

As Bolsas dos Estados Unidos tiveram as maiores perdas em uma só semana desde a crise de 2008, diante do crescente número de casos de coronavírus fora da China e o aumento do temor do impacto econômico da doença. Nem mesmo uma declaração do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, deu alívio aos negócios. Ele disse que a instituição está preparada para apoiar a economia do país. No Brasil, o Ibovespa teve a maior queda semanal em quase nove anos.

O índice Dow Jones caiu 1,39% ontem e desabou 12,36% na semana. O S&P 500 mergulhou, respectivamente, 0,82% e 11,49%. O Nasdaq terminou a sessão estável, mas cedeu 10,54% na semana.

Tamanho o estrago no mercado financeiro fez com que as autoridades americanas explicitassem que estão prontas para tomar medidas se a chamada economia real for afetada.

“O Fed monitora de perto os acontecimentos e suas implicações para a perspectiva econômica”, escreveu Powell em um comunicado, destacando que o coronavírus “representa riscos em andamento para a atividade econômica”.

A fala foi interpretada por operadores e analistas como uma sinalização de que o Fed vai baixar ainda mais os juros – as taxas estão atualmente no intervalo de 1,50% a 1,75%.

Antes mesmo do pronunciamento de Powell, o Bank of America Merrill Lynch passou a prever uma redução de 0,5 ponto porcentual nos juros americanos no meio de março, como forma de diminuir o “pânico do mercado”. O Goldman Sachs, por sua vez, agora estima três cortes de juros até junho.

Mercado local

No Brasil, o Ibovespa teve uma reação ontem, depois de quatro sessões consecutivas de queda. O índice chegou a terminar na máxima do dia, com valorização de 1,15%, aos 104.171,57 pontos. Na semana, contudo, a baixa foi de 8,37%, a maior queda desde agosto de 2011 – auge da crise da dívida na periferia da zona do euro.

O que ajudou a impulsionar o índice na sessão de ontem foi o desempenho dos grandes bancos brasileiros. Na opinião de analistas, as quedas recentes nestas ações foram muito severas. Os papéis ordinários do Bradesco subiram 2,40% e os preferenciais do Itaú Unibanco avançaram 2,99%.

No câmbio, o dólar chegou a bater o nível máximo de R$ 4,5141, mas terminou o dia com suave valorização de 0,05%, a R$ 4,4785. Ainda assim, a moeda americana renovou o recorde nominal de fechamento do Plano Real.

Para acalmar o mercado de câmbio, nesta semana, o BC injetou US$ 2,5 bilhões, adicionalmente às operações de rotina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Viagens e eventos cancelados atingem em cheio companhias aéreas

Passaporte, viagem

(Bloomberg) – As ações do setor de viagens da Europa estão a caminho do pior desempenho desde a crise financeira, ocorrida há mais de uma década. A propagação global do coronavírus limita a movimentação de pessoas e leva empresas como Deutsche Lufthansa e British Airways a reduzirem as projeções de lucro.

Na sexta-feira, a IAG, controladora da British Airways, se juntou à lista de empresas que divulgaram alertas sobre o impacto do vírus. Segundo a empresa, não é possível fornecer uma previsão de lucro este ano porque a fraca demanda na Ásia agora se espalha pela Europa. A EasyJet, companhia aérea de baixo custo, disse que cancelará alguns voos em resposta à demanda mais lenta em toda a Itália, o epicentro do surto na Europa, e em outros mercados da região.

Companhias aéreas, aeroportos e operadoras de hotéis sentem o peso da crescente crise do vírus. Empresas suspendem lucrativas viagens corporativas, associações cancelam grandes eventos e turistas reavaliam seus planos de férias. Na sexta-feira, autoridades suíças proibiram eventos com mais de 1.000 pessoas, além de suspender o Salão Internacional do Automóvel, que seria realizado em Genebra na próxima semana.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo projeta o primeiro declínio anual da demanda global de passageiros em mais de uma década em 2020, afetada principalmente pelo impacto do vírus na China.

As próximas semanas determinarão a gravidade da crise no setor, porque os meses cruciais para as reservas de verão no hemisfério norte se aproximam, disse Daniel Roeska, analista de transporte sênior do Sanford C. Bernstein Ltd., em entrevista à Bloomberg Television.

“Se conseguirmos controlar isso dentro das próximas três a quatro semanas, talvez não seja tão ruim”, disse Roeska. “Mas, se continuar na Páscoa e não alcançarmos um nível de conforto mais alto do que o que temos agora, será ainda mais difícil para as companhias aéreas europeias.”

Cenário difícil

As ações da IAG registraram queda de 9,7%, a maior baixa do índice Stoxx 600 da Europa, enquanto a EasyJet perdeu 6,4% em Londres. Em Frankfurt, a Lufthansa chegou a mostrar queda de 6,1%. O índice Stoxx 600 de viagens e lazer acumula baixa de 18% nesta semana, o que seria o pior desempenho desde o fim de 2008.

Além de reduzir algumas rotas que se conectam às regiões mais afetadas, companhias aéreas começaram a cortar agressivamente os custos para se preparar no longo prazo. Em 26 de fevereiro, a Lufthansa disse que pretende implementar um congelamento das contratações e expandir as opções de trabalho de meio período.

A Alitalia planeja estender as demissões temporárias para cerca de 4 mil funcionários devido ao surto de coronavírus na Itália.

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domingo, 1 de março de 2020

Empresas brasileiras começam a ser afetadas pela falta de componentes por causa do coronavírus

A falta de componentes industriais produzidos na China, onde fábricas estão paradas por causa da epidemia do coronavírus, já leva empresas brasileiras a darem férias coletivas, adiarem lançamentos e deve afetar as metas de produção deste trimestre.

Entre 20 mil a 30 mil funcionários de empresas de tecnologia da informação, especialmente de celulares e computadores, devem ter a rotina de trabalho alterada no curto prazo, com redução de jornada e férias coletivas, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato.

Ele chegou a esse número levando em conta pesquisa feita com 50 empresas do setor que revelou que a produção do primeiro trimestre deverá ficar 22% abaixo da inicialmente projetada por essas companhias em razão do coronavírus.

“A situação é muito grave, não temos como buscar o suprimento em outro país”, afirma Barbato. Segundo a Abinee, na semana passada 57% das empresas já apresentavam problemas, 4% operavam com paralisação parcial e 15% planejavam paradas parciais.

A fábrica da Flextronics em Jaguariúna (SP) vai dar férias coletivas a cerca de 1,1 mil trabalhadores do setor de celulares entre os dias 9 e 28 de março. A empresa já havia deixado outros 2,1 mil funcionários em casa por dez dias, depois prorrogados para 12.

Essa equipe retorna na segunda-feira, quando a outra inicia o período de férias forçadas, segundo José Francisco Salvino, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna. Procurada nesta quinta-feira, 27, a empresa não retornou. A Flextronics fabrica os celulares da marca Motorola e emprega, ao todo, cerca de 3,2 mil pessoas.

A coreana LG é outra que pretende fazer uma parada parcial. A empresa protocolou no Sindicato de Metalúrgicos de Taubaté (SP) aviso de férias coletivas para o período de 2 a 12 de março para 330 funcionários da linha de celulares, onde estão alocados 450 trabalhadores, informa o sindicato.

Por meio de comunicado, a LG afirma que “devido ao surto do coronavírus que atinge o mundo e tem provocado o desabastecimento de peças nas produções, considera um risco potencial de parada na produção, no mês de março, em sua unidade fabril de celulares, localizada em Taubaté”.

A concorrente Samsung informou na quinta-feira que a fábrica de Campinas (SP) “opera normalmente”. A produção, contudo, foi suspensa nos dias 12, 13 e 14, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, Sidalino Orsi Júnior.

“Faltaram peças que estavam bloqueadas na China, mas depois a empresa recebeu os lotes, mas estamos preocupados”, diz Orsi Junior, que pediu encontro com representantes da empresa para esclarecer as condições dessas peças.

Risco

O risco de paralisação da produção nas fábricas brasileiras de eletrônicos, que são muito dependentes das importações de componentes asiáticos, cresce à medida que os embarques dos produtos não são confirmados. No ano passado, 80% dos componentes usados pela indústria eletroeletrônica vieram da Ásia. A China respondeu por 42% e outros países da região por 38%, aponta a Abinee. “A vulnerabilidade é grande”, afirma Barbato.

Na Zona Franca de Manaus (AM) – que reúne grande parte de fabricantes de eletrônicos e de motocicletas que importam peças da China -, já começaram as reuniões entre indústrias e sindicatos de trabalhadores para encontrar uma solução sem custos extras, caso precisem interromper a produção, conta o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.

“Como se trata de uma questão de saúde, não de um problema específico, estamos tentando negociar a parada da produção sem custo maior para as empresas”, diz Périco. Além dos eletrônicos, essas conversas envolvem também os fabricantes do polo de duas rodas.

A Honda, maior fabricante de motos do País, informa que, até o momento, não há previsão de parada em suas linhas de produção. Acrescenta, contudo, que “esse cenário pode ser alterado caso a situação se prolongue”.

Por questões estratégicas, Périco afirma que as indústrias da Zona Franca de Manaus não revelam o nível de estoques de componentes, mas ele afirma que estão baixos. Périco explica que, nos últimos tempos, tem sido normal para as companhias operarem com menos de um mês de componentes para reduzir custos.

José Jorge do Nascimento Junior, presidente da Eletros, associação que reúne a indústria de geladeiras, lavadoras, TVs e eletroportáteis diz, por meio de nota, que o maior foco do problema neste momento está concentrado nos insumos que chegam ao Brasil por via aérea, considerados de maior valor agregado, e que já se encontram perto de volumes críticos.

Lançamento adiado

A JAC do Brasil, importadora dos modelos chineses da marca, adiou o lançamento do primeiro caminhão elétrico no País por receio de não ter estoque para iniciar as vendas. O lançamento estava programado para início de março e, agora, está previsto para o fim do mês.

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