quarta-feira, 1 de abril de 2020

Coronavírus: gráfico mostra as quedas dos principais índices de ações globais no trimestre

Coronavírus: gráfico mostra as quedas dos principais índices de ações globais no trimestre

SÃO PAULO — O principal índice da Bolsa brasileira fechou o primeiro trimestre de 2020 com baixa acumulada de 36,86%, o pior desempenho trimestral do Ibovespa na história. O movimento acompanhou a derrocada dos mercados de ações internacionais, todos afetados pelo impacto negativo da escalada do coronavírus na economia global.

O InfoMoney levantou o desempenho em moeda local dos principais índices de ações da América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia. Enquanto a Argentina teve a maior baixa, de 41,50%, o índice chinês Shanghai Composite foi o que apresentou o melhor desempenho: uma queda de 9,53%.

O índice chinês ensaiou uma recuperação nas últimas semanas, o que melhorou seu desempenho no acumulado trimestral, a medida que a China reportou ter controlado a epidemia de coronavírus em seu território.

Há alguns dias, o gigante asiático não registra contaminação local e os casos de novos infectados são todos de pessoas vindas do exterior. Por este motivo, a China fechou suas fronteiras até que a pandemia comece a ser controlada em outros países pelo mundo.

Veja abaixo o gráfico com o desempenho das Bolsas globais em moeda local no primeiro trimestre de 2020.

Enquanto a China, epicentro inicial da pandemia de coronavírus, anunciou ter controlado a disseminação da Covid-19, outros países sofrem com as mortes causadas pela doença. É o caso da Itália, que tem o maior número de mortes no mundo — mais de 11 mil —, e da Espanha, que chega perto do colapso em seu sistema de saúde, com registro de mais de 800 mortes por dia nesta semana.

No continente americano, os Estados Unidos ultrapassaram de longe a China e a Itália em número de casos confirmados de Covid-19 e se tornaram, na semana passada, o novo epicentro da pandemia global. A maior parte dos mais de 120 mil casos registrados no país estão no estado de Nova York, que também está perto do colapso em seu sistema de saúde.

Os índices de ações americanos, que chegaram a registrar seus piores desempenhos da história com o agravamento do surto de coronavírus no início de março, amenizaram as perdas nas últimas sessões diante do anúncio de medidas restritivas do governo de Donald Trump para conter o avanço da doença no país.

Aqui no Brasil, segundo os dados mais atualizados do ministério da Saúde, o país registra mais de 5.700 casos de coronavírus, com 201 mortes — a maioria no estado de São Paulo. Quase todos os estados adotaram medidas de distanciamento social, nas quais as pessoas com trabalhos não essenciais são recomendadas a ficarem em casa.

A prática é defendida pela Organização Mundial da Saúde no combate ao avanço da Covid-19 e foi utilizada por outros países que têm conseguido reduzir o número de novas contaminações por causa da menor circulação de pessoas. Embora necessária, a medida afeta drasticamente o crescimento econômico, e vários bancos cortaram suas projeções para o PIB brasileiro em 2020, assim como aconteceu no restante do mundo.

A avaliação é que a paralisação forçada por causa do coronavírus vai afetar diretamente a produção e os resultados das empresas, freando assim a atividade do país. Os setores mais afetados são varejo, companhias aéreas e turismo. Veja as 17 ações que caíram mais de 50% no pior trimestre do Ibovespa na história.

Nesta terça-feira (31), o Banco Fibra voltou a cortar a projeção para o desempenho da economia brasileira para uma retração de 2,5% em 2020. Antes, a estimativa era de crescimento de 0,8%.

A nova projeção, segundo o banco, leva em conta o maior recuo do PIB global do que o anteriormente estimado, a forte desaceleração do ritmo de crescimento da China e “o maior impacto, tanto na demanda quanto na oferta agregada, das necessárias medidas de distanciamento social no Brasil.”

O Bradesco também cortou sua projeção para o PIB brasileiro em 2020 para uma retração de 1%. “O país vinha exibindo uma recuperação econômica gradual e esperava-se aceleração do crescimento com a eventual aprovação de novas reformas econômicas, mas o processo foi interrompido”, afirmou o banco em nota.

“O momento que vivemos é singular. É preciso combinar o combate à pandemia com proteção econômica. Com as medidas tomadas até agora, os países estarão protegendo as pessoas e minimizando o risco de colapso econômico, permitindo uma retomada significativa quando a situação começar a se normalizar. Tempos excepcionais requerem medidas excepcionais, mas que, quando bem desenhadas, trazem segurança e expectativa de recuperação à frente”, completou o Bradesco.

Petróleo derrete

Não apenas os índices de ações têm sofrido com o coronavírus — as commodities também estão em queda livre. O barril de petróleo WTI, o contrato mais negociado na Bolsa de Nova York, teve queda acumulada de 66,5% nos três primeiros meses deste ano. Foi o pior desempenho trimestral da matéria-prima na história.

Já o barril de petróleo Brent, negociado em Londres, cedeu 65,6% — pior desempenho trimestral desde o segundo trimestre de 1988. Além do coronavírus, que reduz a demanda global por petróleo já que as pessoas estão em casa, também pesa sobre as cotações a guerra de preços travada entre Arábia Saudita e Rússia.

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Guedes: se PEC do Orçamento de Guerra for aprovada em 24h, “voucher” sai em 24h

Paulo Guedes

Cobrado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a liberar rapidamente o pagamento do auxílio de R$ 600 aos trabalhadores informais, o ministro da Economia, Paulo Guedes, devolveu a responsabilidade para o Congresso e disse que precisa de aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para livrar o governo de amarras que travam a implementação do benefício.

“Se Maia aprovar em 24 horas uma PEC de emergência, o dinheiro sai em 24 horas”, disparou Guedes em coletiva no Palácio do Planalto.

A medida citada pelo ministro é a chamada PEC do Orçamento de Guerra, que vai liberar o governo de seguir algumas regras fiscais nos gastos extraordinários devido à pandemia do novo coronavírus.

Nesta terça-feira, 31, Maia disse que a PEC pode ser votada entre hoje e amanhã na Câmara, mas ressaltou que depende de um acordo com o governo sobre um último ponto. O Congresso tenta garantir no texto a previsão de que o Legislativo poderá sustar qualquer decisão do comitê de gestão da crise que será criado para coordenar os trabalhos, mas o Executivo é contra.

Enquanto essa PEC não for aprovada, Guedes disse que já foi alertado pelos secretários do Tesouro, Mansueto Almeida, e do Orçamento Federal, George Soares, de que não há fonte no Orçamento para bancar a despesa, um pré-requisito formal na hora de prever um gasto.

Sem isso, segundo o ministro, os técnicos temem assinar os pareceres que dão suporte à despesa e, depois, serem responsabilizados por qualquer eventual irregularidade. O auxílio aos informais deve custar entre R$ 60 bilhões e R$ 80 bilhões, segundo o ministro.

“Estamos com um problema técnico, e presidente Maia pode nos ajudar muito”, disse Guedes, lançando em seguida uma espécie de desafio ao presidente da Câmara. “Se Maia aprovar em 24 horas uma PEC de emergência, o dinheiro sai em 24 horas”, disparou. Em seguida, no entanto, o ministro ressaltou que talvez a liberação não ocorresse exatamente em 24 horas porque depende da implementação e de cronograma já existente para alguns benefícios, como o Bolsa Família.

“Há toda uma logística, o dinheiro não cai do céu”, afirmou Guedes. Ele disse que o governo está consciente de que qualquer atraso é “calamitoso”.

O ministro insinuou ainda que há “exploração política” nas críticas à demora do governo na liberação dos pagamentos e lembrou que o programa voltado aos trabalhadores informais é totalmente novo. “Quando há uma crise desse tamanho, é natural que haja desencontro, e é natural também a exploração política”, disse Guedes.

Ele advertiu que, numa situação tão grave, o País “não está com muita paciência para esse jogo político” e reconheceu que é preciso dar uma resposta rápida. Ele fez um “mea-culpa” por parte do governo e disse que, com muitas frentes de ação, às vezes pode ser difícil articular.

“Peço que haja um pouco de compreensão. Não é trivial colocar dinheiro na mão de 38 milhões de trabalhadores informais. Não é momento para explorarmos deficiências eventuais”, seguiu o ministro.

Apesar de ressaltar a responsabilidade do Congresso, o ministro da Economia buscou depois um tom conciliador e defendeu que governo e Parlamento trabalhem juntos pela aprovação da PEC que destravará o pagamento. “A hora é de união, juntos somos mais fortes. Tenho certeza que presidente Maia quer nos ajudar a aprovar isso. Queremos implementar isso (auxílio a informais) o mais rápido possível”, afirmou.

“Estamos precisando do apoio do Congresso Nacional”, reiterou Guedes. “Jamais usaria oportunidade como essa para falar mal do Congresso.”

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Corretora de criptomoedas XDEX encerra atividades; conheça as orientações aos clientes

SÃO PAULO – A corretora de criptomoedas XDEX, criada em outubro de 2018, anunciou nesta terça-feira (31) que irá encerrar suas atividades.

Em comunicado, a empresa falou em dificuldades de empreender em um mercado não regulado e que este era o momento de parar.

“A projeção do mercado, competição e os poucos avanços regulatórios diminuíram as oportunidades encontradas no início do projeto e foram a base dessa difícil decisão tomada pela empresa”, diz a nota.

A XDEX ressaltou que seguirá todas as obrigações contratuais com os clientes, que deverão encerrar suas posições em criptomoedas e retirar todo o saldo em reais dentro de 30 dias, contados a partir desta terça.

De acordo com a companhia, assim que for feita a solicitação de retirada, os valores serão enviados para a conta bancária cadastrada na plataforma em até 1 dia útil, seguindo os expedientes bancários.

Se o cliente não fizer esta retirada dentro destes 30 dias, encerrado o período, a própria XDEX irá fazer isso automaticamente, vendendo as criptomoedas e depositando o valor obtido na conta do usuário em até 3 dias úteis.

A companhia ainda destacou que seu atendimento, feito por meio do site, estará disponível segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, para que os clientes possam tirar dúvidas.

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As 17 ações que caíram mais de 50% no pior trimestre da história do Ibovespa

SÃO PAULO – Quem poderia imaginar, nos primeiros dias do ano, que o Ibovespa teria uma queda de superior a 36% apenas nos três meses iniciais de 2020, a maior baixa da história? De repente, as projeções otimistas para o índice foram jogadas por terra, com boa parte da forte baixa concentrada no mês de março, que se encerrou na sessão desta terça-feira (31).

Se a visão do final do ano passado de analistas de mercado parecia ser positiva para 2020, o começo do ano já foi de turbulência, após ataque dos Estados Unidos no Iraque matar o general Qassem Soleimani, principal comandante militar do Irã, fazendo escalar a tensão entre americanos e iranianos. Isso gerou muita volatilidade no mercado, sendo considerado o primeiro “cisne negro” de 2020, em referência a eventos não esperados pelo mercado.

Porém, o que viria a seguir seria ainda seria mais importante para definir o rumo dos mercados em 2020. O Ibovespa chegou a encostar nos 120 mil pontos nos pregões de 23 e 24 de janeiro, atingindo novas máximas históricas mas, aos poucos, a aversão ao risco começou a tomar conta do mercado por conta do segundo “cisne negro” do ano, que viria com tudo em março para o Brasil.

Na segunda quinzena de janeiro, ganhou força e impacto entre os investidores a notícia sobre o novo coronavírus que, até então, tinha atingido fortemente a China, principalmente a província de Wuhan.

Naquele momento, até então, o impacto era visto como algo um tanto distante, ainda mais por se tratar de uma doença a princípio menos letal, ainda que mais contagiosa, que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que atingiu o país entre 2002 e 2003 e levou a morte de 774 pessoas. Contudo, dada a importância do país dada a sua posição no ranking de economias globais, as bolsas já foram abaladas.

Porém, o novo coronavírus, que leva à enfermidade denominada Covid-19, teve uma velocidade para se espalhar assustadora, já levando a mais mortes do que a SARS em pouco tempo e demorando apenas um mês para sair da China, enquanto a SARS demorou três meses. Assim, por mais que em números relativos ela não fosse mais letal, em números absolutos a Covid-19 ultrapassou de longe os números da enfermidade de 2002-2003.

A situação se agravou ainda mais quando ela chegou a outros países, tornando-se notoriamente letal na Itália e se espalhando por outros países como Espanha, França, Estados Unidos, este último se tornando o mais novo epicentro da enfermidade. O primeiro caso no Brasil aconteceu em 26 de fevereiro e, desde então, diversas medidas já foram tomadas para restringir a circulação de pessoas, o que levou a revisões drásticas de números para a economia brasileira, com expectativas de uma forte recessão.

Ações em forte queda

Desta forma, o coronavírus foi sentido fortemente na bolsa brasileira, fazendo com que nenhuma ação do Ibovespa conseguisse fechar o trimestre com ganhos e que um impressionante número de 17 das 73 ações do benchmark da bolsa tivessem queda superior a 50% no período.

Vale destacar, contudo, que a maior baixa do Ibovespa no trimestre não foi de uma ação seriamente impactada pelos efeitos do Covid-19, mas ela acabou sofrendo com o sell-off do mercado já que enfrentava problemas internos. Trata-se do IRB (IRBR3), que viu suas ações caírem 75,15% no acumulado do período: mudanças nos cargos de liderança após afirmações de que a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, tinha comprado ações da companhia, o que foi desmentido depois, questionamentos sobre o balanço e até mesmo uma ação da Polícia Federal vêm abalando a empresa de resseguros desde o início de fevereiro, quando a bolsa ainda não refletia tanto os temores com o coronavírus.

Já as quedas seguintes refletem bem o cenário da crise atual: CVC (CVCB3), Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) registram baixas respectivas de 74,66%, 69,89% e 69,10%. Por conta da queda da demanda por voos e das restrições de viagens, as companhias tiveram um forte corte da capacidade de operação (confira clicando aqui). A Gol reduziu em cerca de 92% a oferta nos mercados domésticos e 100% nos internacionais, enquanto a Azul cortou sua capacidade em 90% entre 25 de março e 30 de abril. Smiles (SMLS3) também teve queda forte no período, de 68,55%.

Nas últimas sessões, as ações das aéreas até buscaram recuperação em meio à expectativa por medidas do governo para ajudar as companhias, mas as preocupações sobre o impacto do coronavírus nas operações voltaram a afetar o desempenho das ações AZUL4 e GOLL4.

Além disso, vale ressaltar que, no último dia do trimestre, a CVC ainda sofreu na bolsa após divulgar dados preliminares não-auditados considerados negativos para o mercado, adiando a divulgação do resultado completo justamente por conta de indícios de erros contábeis totalizando R$ 250 milhões.

Enquanto isso, Cogna (CGNA3) e Yduqs (YDUQ3) registraram fortes quedas, com destaque para a primeira, que teve baixa de 65% no trimestre. As companhias do setor também são afetadas diretamente com o coronavírus, dadas as medidas de suspensão de aulas presenciais (ainda que consiga haver uma compensação através de aulas online), e indiretamente em meio à desaceleração econômica, o que pode afetar o ingresso nas universidades. A divulgação dos números do quarto trimestre da Cogna que repercutiram na última sessão do trimestre também não agradaram, fazendo a ação cair cerca de 20% (veja mais clicando aqui).

Também em um movimento curioso, as ações da BRF (BRFS3), companhia que a rigor se beneficiaria com a maior procura por alimentos, viu seus papéis registrarem forte queda de 57,13% no trimestre. No começo de março, os números reportados pela companhia do quarto trimestre de 2019 não agradaram, com os custos mais altos e dados decepcionantes no segmento halal desanimando os analistas, que revisaram as projeção para as ações da companhia. Dessa forma, outras companhias do segmento de proteínas foram colocadas como preferidas, como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).

Na sequência, a Cia. Hering (HGTX3), do setor varejista, bastante impactado por conta do fechamento de lojas por conta das restrições à circulação, teve queda de 56,29% de seus ativos no período. Desde o começo do ano, as ações já estavam sofrendo na bolsa, passando a registrar queda ainda mais expressiva diante de dados operacionais considerados decepcionantes até pela própria direção (veja mais clicando aqui). Assim, uma virada, que seria necessária para a companhia, ficou mais difícil em meio ao ambiente macroeconômico bastante negativo que se desenhou após o coronavírus chegar ao Brasil.

Também do setor, a Via Varejo (VVAR3) também foi muito impactada no período, com queda de 52,73%. “A empresa está passando por um turnaround, tem um negócio muito cíclico e subiu muito nos últimos meses, quando o mercado estava otimista. É razoável que caia tudo isso em meio ao desespero do mercado”, afirma Carlos Herrera, estrategista-chefe da casa de análise Condor Insider, ao InfoMoney (veja mais clicando aqui).

A Petrobras (PETR3;PETR4), antes com boas perspectivas em meio aos desinvestimentos e foco em exploração e produção, viu suas ações desabarem por uma combinação da forte redução da demanda por conta do impacto do coronavírus nas economias globais e de uma guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia, que levou a um aumento da produção do primeiro país. Porém, segundo aponta o Goldman Sachs, nem mesmo um eventual fim da disputa entre os dois países pode evitar excesso de petróleo (veja mais clicando aqui).

Tanto o WTI quanto o brent encerraram hoje o pior trimestre de suas histórias e também seu pior mês. O WTI perdeu mais de 54% de seu valor ao longo de março e mais de 66% neste trimestre, levando-se em conta os contratos mais negociados. O Brent também perdeu mais da metade de seu valor neste mês. Na segunda, os contratos haviam atingido mínimas desde 2002, com o WTI chegando a ser negociado abaixo de US$ 20 o barril.

Neste cenário, a estatal teve que rever o seu plano de negócios: a companhia adiou pagamento de dividendos, reduziu investimentos em US$ 3,5 bilhões e cortou produção. Segundo Roberto Castello Branco, presidente da companhia, o impacto global causado pela pandemia de coronavírus pode resultar na pior crise do setor de petróleo em 100 anos.

Outras ações do Ibovespa (totalizando 17) perderam pelo menos metade de seu valor de mercado apenas no primeiro trimestre deste ano. Confira abaixo:

Empresa Ticker Preço Desempenho
IRB IRBR3 R$ 9,68 -75,15%
CVC CVCB3 R$ 11,10 -74,66%
Azul AZUL4 R$ 17,55 -69,89%
Gol GOLL4 R$ 11,37 -69,10%
Smiles SMLS3 R$ 12,35 -68,55%
Cogna COGN3 R$ 4,00 -65%
BRF BRFS3 R$ 15,09 -57,13%
BTG Pactual BPAC11 R$ 33,24 -56,34%
Cia. Hering HGTX3 R$ 14,88 -56,29%
Petrobras (ON) PETR3 R$ 14,14 -55,81%
Petrobras (PN) PETR4 R$ 13,99 -53,64%
Yduqs YDUQ3 R$ 22,17 -53,33%
Via Varejo VVAR3 R$ 5,28 -52,73%
Cyrela CYRE3 R$ 14,13 -52,41%
Embraer EMBR3 R$ 9,54 -51,65%
Ultrapar UGPA3 R$ 12,53 -50,82%
CSN CSNA3 R$ 6,98 -50,53%

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Construção civil sofre efeitos do coronavírus, mas analistas veem luz no fim do túnel

Guindaste

SÃO PAULO – Após disparar 106% na Bolsa em 2019, maior alta setorial do Ibovespa, as empresas de construção civil entraram em 2020 em ritmo inequívoco de bull market – e chegaram a despontar desconfianças de que estariam se aproximando de um fenômeno de bolha. O coronavírus, no entanto, interrompeu bruscamente esse movimento.

“A construção trabalha por ciclos prolongados, mas a disseminação da Covid-19 muda o cenário”, avalia Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE. O Índice de Confiança da Construção (ICST), publicado pela instituição, recuou 2,0 pontos em março, alcançando 90,8 pontos, refletindo piora da percepção dos empresários principalmente em relação às expectativas para os próximos três e seis meses.

A consequência até o momento é uma perda acentuada dos ganhos vistos em 2019. A maioria dos papéis caiu mais que o Ibovespa (-36,78%) desde o início do ano. Veja as taxas para nove papéis:

Variação em 2019 Variação em 2020 (até 30/03)
Helbor ( HBOR3) 201% -60,21%
Even ( EVEN3) 159,30% -60,15%
Tecnisa ( TCSA3) 28,00% -59,01%
Cyrela ( CYRE3) 100,80% -51,12%
Direcional ( DIRR3) 111,56% -43,60%
MRV ( MRVE3) 85,13% -41,71%
Eztec ( EZTC3) 107,60% -41,23%
Mitre ( MTRE3) -41,00%
Tenda ( TEND3) 96,80% -31,06%

Apesar disso, quem acompanha o setor segue com expectativas positivas no médio e longo prazo para as empresas, dado que, na maioria delas, há colchão para sobreviver à pior fase e retomar o crescimento pré-coronavírus no médio e longo prazo.

Ruptura

Analistas da XP Investimentos esperam queda considerável nos lançamentos e vendas tanto no segundo quanto no terceiro trimestre de 2020, “uma vez que as quarentenas devem continuar prejudicando atividades não essenciais e as estandes de vendas devem continuar fechadas no curto prazo”. A partir do segundo semestre, consideram uma retomada gradual nos negócios, com normalização apenas em 2021.

Com atraso nas aprovações de projetos pelos municípios após a retomada dos negócios, a XP calcula redução entre 34% e 38% nos lançamentos em 2020 na comparação com 2019.

Fora isso, os especialistas veem geração mais fraca de caixa ou até queima de recursos assumindo aumento nos cancelamentos de contratos no curto prazo “devido à menor confiança do consumidor e ao menor apetite dos bancos em concederem crédito imobiliário”.

Em extenso relatório sobre o setor, o Itaú BBA estima que as companhias dentro da sua cobertura queimarão, juntas, R$ 969 milhões de caixa apenas durante o segundo trimestre de 2020. O BBA tem cobertura para Mitre, Eztec, Cyrela, Even, Tecnisa, Helbor, MRV, Tenda e Direcional.

Mais resilientes

Segundo os cálculos do BBA, a queda na receita deve ser entre 10% e 48% para as construtoras focadas nas classes média e alta e entre 8% e 17% para aquelas cujos projetos são voltados para a baixa renda.

“A crise entre 2014 e 2018 afetou negativamente empresas voltadas a clientes de renda média-alta, cujos lançamentos caíram significativamente, afetando sua produtividade”, lembra o relatório. “Ao mesmo tempo, construtoras para a baixa renda conseguiram sustentar lançamentos e lucratividade estáveis.”

Segundo os analistas, a maior resiliência desse segmento deve se repetir neste ano, dada a exposição geográfica mais diversificada e a demanda crescente na categoria. O que pode mudar essa visão é a forma como o governo utilizará o FGTS na crise, “especialmente considerando o impacto que isso pode ter no financiamento do MCMV”.

Vale lembrar que, sem recursos para bancar o programa de habitação social, o governo renovou a portaria que determina que o fundo de garantia assuma todos os subsídios das faixas 1,5 e 2 do MCMV, que atendem famílias com renda mensal entre R$ 2,6 mil e R$ 4 mil, respectivamente. Normalmente, 90% do financiamento parte do FGTS nessas faixas, e 10% da União.

Longo prazo positivo

Apesar do baque, a vantagem das construtoras é ter caixa robusto, graças às ofertas de ações recentes. O setor levantou R$ 5,5 bilhões no período mais otimista de retomada da economia e do crédito. O intuito era liquidar dívidas e investir em novos projetos, mas o dinheiro deve ajudar nesse momento de economia paralisada.

“Não prevemos grandes problemas de liquidez para as empresas que cobrimos, já que todas elas estão relativamente desalavancadas”, diz o relatório do BBA. “De fato, as construtoras brasileiras estão menos alavancadas do que estavam no contexto das crises anteriores (2009 e 2016, por exemplo).

O indicador que avalia nível de dívida líquida sobre preço da ação, muito utilizado entre analistas para indicar oportunidades na Bolsa, chega a estar negativo para algumas empresas, o que significa que seu caixa é maior que sua dívida, conforme visto nas imagens abaixo, que mostram, respectivamente, a expectativa de queima de caixa e os níveis de alavancagem das empresas em comparação com o preço das ações.

Considerando esse cenário de provável retomada a partir de 2021, os níveis de caixa e os preços descontados das ações, os analistas de ambas as casas não recomendam venda dos papéis dessas construtoras neste momento, mas alertam para um risco de médio prazo caso as cadeias de suprimentos sofram mais com o prolongamento do lockdown.

O BBA tem recomendação de compra para Mitre, EZtec, Tecnisa, Helbor, MRV, Tenda e Direcional, e de manutenção para Cyrela e Even. Já a XP manteve compra para os papéis que cobre: Cyrela e EZTec.

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CVM prorroga por 2 meses entrega de demonstrações financeiras findas em 31/12/19

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está adiando o prazo de entrega de informações periódicas das companhias abertas. A lista inclui demonstrações financeiras, formulários trimestrais, formulário cadastral, formulário de referência e o informe sobre o Código Brasileiro de Governança Corporativa. As empresas com exercício encerrado em 31 de dezembro passado terão mais dois meses para entregar as demonstrações financeiras.

Os balanços, portanto, poderão ser apresentados ao órgão regulador do mercado de capitais até o fim de maio. As companhias abertas também ganharam mais dois meses de prazo o formulário de referência, o formulário cadastral, o formulário das demonstrações financeiras padronizadas (DFPs), o informe sobre o Código Brasileiro de Governança Corporativa.

Já o formulário de informações trimestrais referente ao primeiro trimestre do exercício social das companhias com exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2019 será jogado para frente em 45 dias, ou seja, até o fim de junho.

A norma também prevê o adiamento do prazo de entrega do relatório produzido pelos agentes fiduciários e permite que as assembleias dos fundos de investimento regulados pela CVM sejam realizadas de maneira virtual, ainda que as demonstrações financeiras que não possuam relatório de auditoria com opinião modificada sejam consideradas aprovadas, caso a assembleia convocada para a aprovação de contas não seja instalada em virtude do não comparecimento de investidores.

A Deliberação CVM 849 vem em linha com a Medida Provisória 931/20, publicada ontem. Ela altera dispositivos da Lei das S.A., como o que dispõe sobre a realização de assembleias de acionistas e dá poderes à CVM para prorrogar outros prazos. O objetivo do conjunto de iniciativas é reduzir os efeitos negativos da pandemia provocada pelo novo Coronavírus sobre a atividade econômica nacional.

Em comunicado ao mercado, a xerife do mercado de capitais diz ainda que centrará esforços na regulamentação das assembleias inteiramente digitais. Hoje elas não são regulares à luz da legislação e regulamentação vigentes.

Ao mesmo tempo em que flexibiliza prazos regulamentares, a CVM reconhece que a postergação da divulgação de informações ao mercado tende a acentuar situações de assimetria informacional entre investidores. Diante disso, a autarquia reforça que “as regras que buscam assegurar a integridade do mercado, especialmente aquelas que coíbem o uso de informação privilegiada e a manipulação de preços, continuam integralmente em vigor”.

A autarquia alerta que os emissores devem avaliar a melhor forma de informar aos seus acionistas e ao mercado em geral as decisões tomadas em virtude da MP 931 e da Deliberação 849, considerando o conteúdo de suas políticas de divulgação de informações e os mecanismos de divulgação já existentes, como comunicados ao mercado e avisos de fato relevante, dentre outros.

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terça-feira, 31 de março de 2020

Ibovespa fecha o mês com queda de 30% e tem pior trimestre da história; dólar sobe 16% em março

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (31), consolidando uma baixa de 29,91% em março, o pior mês desde agosto de 1998, quando caiu 39,55%. No trimestre, o desempenho do principal índice acionário da B3 foi o pior de toda a história da Bolsa: uma retração de 36,86%, segundo dados da consultoria Economatica. Já o dólar subiu 15,92% em março.

Se for levada em consideração a cotação do dólar Ptax venda, a desvalorização do real no primeiro trimestre de 2020 foi de 28,98%, a terceira maior desde o Plano Real, conforme a Economatica.

Este período foi marcado por seis circuit breakers acionados desde que começaram as tensões por conta da pandemia de coronavírus.

Se a visão do final do ano passado de analistas de mercado parecia ser positiva para 2020, o começo do ano já foi de turbulência, após ataque dos Estados Unidos no Iraque matar o general Qassem Soleimani, principal comandante militar do Irã, fazendo escalar a tensão entre americanos e iranianos. Este foi apenas o primeiro “cisne negro” de 2020, em referência a eventos não esperados pelo mercado.

Logo depois, na segunda quinzena de janeiro, ganhou força e impacto entre os investidores a notícia sobre o novo coronavírus que, até então, era um fenômeno restrito à província de Wuhan.

Naquele momento, até então, o impacto era visto como algo um tanto distante, ainda mais por se tratar de uma doença a princípio menos letal, ainda que mais contagiosa, que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que atingiu o país entre 2002 e 2003 e levou a morte de 774 pessoas. Contudo, dada a importância do país dada a sua posição no ranking de economias globais, as bolsas já foram abaladas.

Porém, o novo coronavírus, que leva à enfermidade denominada Covid-19, teve uma velocidade impressionante e levou a mais mortes do que a SARS em pouco tempo, demorando apenas um mês para sair da China, enquanto a SARS demorou três meses.

A situação se agravou ainda mais quando ela chegou a outros países, tornando-se notoriamente letal na Itália e se espalhando por outros países como Espanha, França, Estados Unidos, este último se tornando o mais novo epicentro da enfermidade. O primeiro caso no Brasil aconteceu em 26 de fevereiro e, desde então, diversas medidas já foram tomadas para restringir a circulação de pessoas, o que levou a revisões drásticas de números para a economia brasileira, com expectativas de uma forte recessão.

O mercado nesta terça

Hoje, o Ibovespa voltou a cair seguindo as bolsas dos Estados Unidos em uma sessão volátil, com investidores atentos ao avanço do coronavírus no mundo e à expectativa por estímulos. O Dow Jones caiu 1,84% e registrou seu pior trimestre desde 1987.

Já são 800 mil casos globais de infecção pela Covid-19 e diversos países estão estendendo as medidas de quarentena e isolamento social. Por outro lado, esta terça-feira (31) foi dia de dados positivos da China, mostrando que a segunda maior economia do mundo já começou a se recuperar da crise provocada pela pandemia.

O Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria ficou em 52 pontos em março, após ter afundado a 37.5 pontos em fevereiro, informa a CNN. A projeção da agência Reuters era de que cresceria a 45 pontos em março. O índice PMI composto, formado por indústria mais serviços, foi de 52,3 pontos, após ter afundado a 29,6 pontos em fevereiro.

O Ibovespa fechou em queda de 2,17%, aos 73.019 pontos com volume financeiro negociado de R$ 23,75 bilhões, recuando 36,9% desde o início do ano.

Enquanto isso, o dólar futuro para abril tem leve variação positiva de 0,07%, para R$ 5,199. O dólar comercial, por sua vez, registrou ganhos de 0,24%, cotado a R$ 5,1933 na compra e R$ 5,1944 na venda.

O câmbio chegou a virar para queda após o Federal Reserve informar que abriu uma linha de recompra para bancos centrais estrangeiros para apoiar o bom funcionamento dos mercados financeiros, porém já voltou a subir. Nos últimos dias, o Fed já havia elevado a frequência de leilões de operações de linhas de swap com outros bancos centrais.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 11 pontos-base a 4,06%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de dois pontos-base a 5,40% e o DI para janeiro de 2025 avançou oito pontos-base a 6,85%.

Por aqui, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) mostrou um aumento no desemprego para 11,6% no trimestre até fevereiro, em linha com a expectativa mediana dos economistas de mercado compilada no consenso Bloomberg. O número de pessoas desempregadas é 12,3 milhões.

O aumento, na comparação com o trimestre terminado em novembro (11,2%), significa a interrupção de dois trimestres seguidos de quedas estatisticamente significativas no desemprego.

Do lado europeu, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 0,7% na comparação anual de março, desacelerando fortemente em relação ao aumento de 1,2% observado em fevereiro em meio aos efeitos da pandemia de coronavírus, segundo dados preliminares divulgados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,8%.

Nos Estados Unidos, o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse que o governo está disposto a pedir mais dinheiro ao Congresso se o pacote de US$ 2 trilhões já aprovado for insuficiente para conter os efeitos da pandemia sobre a economia.

Política 

Os ministros da Justiça, Sérgio Moro, e da Economia, Paulo Guedes, fizeram uma união nos bastidores em apoio ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e na defesa das medidas de distanciamento social e quarentena da população para combater o avanço do coronavírus.

Com o apoio de alguns militares, o trio formou um bloco antagônico ao presidente Jair Bolsonaro, contrário ao confinamento das pessoas e ao fechamento do comércio, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo. Com o apoio de Moro e Guedes a Mandetta, o isolamento do presidente aumenta, porque o ministro da Saúde já tem o apoio do Legislativo e do Judiciário. A avaliação feita pelo ministro Moro a aliados é que o presidente está descontrolado e deixa aflorar sentimentos de raiva contra supostos inimigos.

Noticiário corporativo 

A Hypera Pharma comunicou que realizará emissões de debêntures no valor total de R$ 3,5 bilhões. A primeira emissão ocorrerá em 3 de abril, com os papéis da primeira série fazendo um montante de R$ 2,48 bilhões; a segunda emissão, em data não definida, deverá levantar o valor de R$ 1,015 bilhão. Na noite de ontem, perto do fim da temporada de balanços, a Mahle-Metal Leve e a construtora Even publicaram seus resultados de 2019. A Cogna (antiga Kroton) publica balanço na manhã de hoje.

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